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terça-feira, 21 de agosto de 2012













Artigo de opinião

Por: Jó Kindanje |
In: www.allaboutkuduro.com |21.Agosto.2012

Fotos de:
Kota 50 e Site do Afromusic/fontes net
Mediatismo do Kuduro muda opiniões
Empresários nacionais adormecem no cepticismo





O Kuduro é, hoje, por excelência o estilo mais mediático de Angola, depois dos grandes momentos de polémica à sua volta, no período de rejeição. Os tempos mudaram-se e dá mostra de ser um elemento importante a ter-se em conta na mediatização de vários propósitos desde os artísticos aos comerciais. Empresas e artista de outros géneros musicais visionários, as vezes, “fuscos no mercado”, gíria musical kudurista que traduz-se por má fase de carreira, que experimentaram tal terapia, provaram ser eficiente na recuperação da sua visibilidade. No entanto, o sector empresarial adormece no cepticismo!

Surgiu no mercado nos meados dos anos 90, depois da sua transição de Batida para Kuduro. Tudo começou no centro urbano de Luanda, de onde partiu para periferia. O estilo e os seus fazedores experimentaram os piores dissabores e insultos vindo de músicos da chamada primeira grandeza em Angola, que afirmavam preconceituosamente que nunca cantariam o referido género musical por se tratar, na época, de um estilo aparentemente marginal, pela adesão massiva por jovens de proveniência suburbana e pela pobreza lexical, outras vezes pela ausência de composições, ou por desrespeito às regras da ciência musical, feitos por artistas discriminados por “kuduristas”.
Este termo é utilizado para distinguir, os artistas, cantores ou dançarinos deste género, - dos demais fazedores de outros estilos musicais, ou artistas na sua generalidade, um extracto onde o fazedor do estilo Kuduro não consta, (ou não constava) -, acabou sendo aceite por estes e prevalece até os dias de hoje.
A crítica informal e formal rasgou rajadas de ventos de hostilidade desferidas contra os fazedores e o género em si, por ambiguidade no juízo de valores gerada pela incompreensão do fenómeno social que acabava de ser parido pela pátria angolana como resultado da necessidade da imposição de uma marca de Angola na música jovem, fruto da tendência mundial da época, como o Break-Dance e o som Techno da América gerada pelo hibridismo destas e dos demais consumos das várias sonoridades e ritmos dançantes, provenientes das várias paragens mundiais.
 Tal facto forçou a divisão de opiniões ao nível da sociedade, entre os “elitistas” que ignoravam por complexo de superioridade, que estavam em minoria, e os “guetistas” que consumiam e produziam cada vez mais, moldando o estilo ao seu jeito e o rosto da sua realidade social, provocando uma onda de massa que se reencaminharia para o centro urbano de Luanda forçando a adaptação destes aos novos ventos, de onde partiria para além das fronteiras nacionais, a partir do início da virada do século XXI.
Entretanto, o seu reconhecimento internacional leva à uma repescagem tímida, dos ditos de imprensa contra o ilustre visitante Kuduro proferidos por figuras da sociedade que ignoravam e juravam de pés juntos publicamente que nunca cantariam, nem dançariam ao contagiante ritmo.
Os entendidos em matérias de musicologia e noutras áreas das ciências sociais, pouco ou quase nada faziam além da simples crítica destrutiva e desprovida de fundamentos científicos e lógicos, movidos por emoção, facto que contagiou a muitos.  
No entanto, contrariamente, hoje o facto é o oposto canta-se, dança-se, salta-se e aplaude-se mais. Há um sinal de tentativa de reparação dos erros cometidos, por parte de muitos, enquanto os outros, não admitem a redenção pública, preferindo fazê-la em circuitos fechados por ignorância, preconceito, ou simplesmente capricho. Enquanto prevalecem acanhados a maioria do seus fazedores.


 MILAGRES DO SEU MEDIATISMO


1-Músicos mais ousados e atentos como Yury da Cunha, num momento menos bom da sua carreira apercebendo-se do mediatismo do estilo, na sua transição do género Kizomba que lhe era característico, para o Semba, faz a primeira fusão da história do Kuduro com o referido género, com a participação da primeira voz feminino do estilo em Angola, Fofando, no grande hit intitulado Makumba, que catapultaria Yuri à sua internacionalização, cujo sucesso de lá nunca mais pararia.
2- Uma experiência repetida por Danny L, mesmo no seu bom momento de carreira, por visão e gosto ao género deu mostras da grandiosidade do ritmo, ao qual ele faz e bem.
3-Num momento menos bom do Rap em Angola, o artista JD fez a primeira fusão musical entre o Rap e Kuduro num feature com Bruno M, no grande sucesso. Logo depois uma segunda versão com a participação de Sebém e Yuri da Cunha, tornando-se também num grande hit.


4-Big Nelo, ainda no Rap segue o exemplo de JD e com os Vagabanda faz a segunda fusão na história do Kuduro e com muito sucesso. Satisfeito com os resultados repete a proeza com a dupla Presidente Gasolina e Príncipe Ouro Negro. Seguindo-se depois vários sucessos do músico a solo no seu estilo.
5-Dog Murras no seu consulado faz do Kuduro um emblema de Angola fomentado o surgimento de escola de dança deste género no Brasil.
6-Os artistas internacionais como Lucenzo, num duo com Don Omar, interpretaram a música “Danza Kuduro”, usando a marca de Angola, embora o fizessem num ritmo latino. José Malhoa de Portugal também interpretou “Morena Kuduro”. Ambos, apesar de não estarem na linha métrica, do Kuduro, fazem-no com tal ímpeto e pelo contágio do mesmo, tal é a força que este género musical despertou para o mundo, apesar de continuar a ser incompreendido por muitos de nós, enquanto isso, ganha-se com isso, os que o encaram como algo respeitável!
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7-Na sequência, Kuduro é escolhido como banda sonora no filme Velocidade 5; é tema da banda musical da novela de grande audiência, Avenida Brasil; o road I love Kuduro sessão paris; Berlim e Luanda; KIC- Kuduro International Conference, entre outras acções de níveis internacionais, todos estes factos sãos motivos e suficientes para despertarmos e prestarmos cada vez mais interesse ao Kuduro, mais do que um género musical, ou dança é uma marca de Angola, representada por um forte seguimento social do país com poder representativo grande. A juventude!



EMPRESÁRIOS CULTURAIS ADORMECIDOS

8-Mesmo diante deste cenário positivo que se descreveu é grande o grito de socorro por parte dos fazedores desta arte, por cá em Angola, por falta de apoios!
É fraca a ousadia do sector empresarial da indústria cultural angolana, e tudo isto limita a explosão da criatividade artística juvenil, que vai procurando em outras tendências rítmicas, oportunidades para evitar tal “ofuscamento” no mercado, que normalmente, recaem para outros ritmos como o chamado afro-pop, ou Kwaito, por estarem a ser consumido pelo factor novidade e proveniência, dando a falsa ideia de que o Kuduro morreu!
9-O difícil acesso aos médias é também aqui chamado, por escassez de meios que se interessem na criação de espaços de especialidade para promoção da arte e do artista, bem como, a ausência da figura do agente na gestão da carreira profissional, que dependem grandemente dos multimédia.
Aliados a isto, há também ainda uma fraca produção de eventos no showbiz, e os poucos que são feitos estão abertos para uma carteira de músicos que com algum sacrifício paranormal conseguiram sair do anonimato, e num formato circular vicioso que acabam ofuscando a possibilidade de outros potenciais artistas brilharem e que, na verdade, poderiam enriquecer a nossa praça artística musical, assim como a possibilidade de gerarem riqueza através fomento da promoção do turismo cultural, entre outras benesses da indústria cultural angolana.

SINAIS DE MUDANÇA

10-A interpretação dos sinais da necessidade da mudança não ficam por ali, vêm de vários pontos. Ao nível da chamada alta sociedade, o tema Kuduro podia (pode) significar tão simplesmente nada!
É (era) como o diabo fugindo da cruz. Pelo menos, falando de uma maneira muito generalista, assim funcionavam as coisas, até pouco tempo atrás.
 Algumas iniciativas individualistas eram feitas ao desconhecimento do público por receio das reacções, fruto da descriminação que a sociedade exercia, ou exerce, sobre o kuduro. Ter interesse sobre este tema podia (ou pode) ser motivo para seres considerado como alguém fora do perfeito juízo, como de resto várias vezes fui interpretado de ínicio.
11-Todavia, os sinais da consciencialização sobre a valorização deste elemento cultural parecem estar a surtir o seu resultado. Depois da V ª edição da feira do livro e do disco, em Agosto de 2011, no Cefojor, Luanda, onde debateu-se em palestra subordinada ao tema: “O advento do surgimento do Kuduro na história da música angolana”, do qual fui um dos prelectores em companhia de Ikuma Bamba, um dos mentores do programa Top Kuduro Rádio Escola, tal certame serviu para o lançamento da 1ª obra nacional, do género ensaio intitulado “Kuduro, um reinado sem rei nem coroa”, da minha autoria.
 A referida obra desperta o interesse para tal abordagem e recomenda o encontro interdisciplinar entre especialistas e investigadores nacionais e estrangeiros. Por minha iniciativa, juntei-me a parceiros para que tal fosse um facto, oito meses depois. Assim aconteceu a primeira Kuduro International Conference, sobre o tema: “Kuduro, património de Angola para África e o mundo” e sob o slogan: “conhecer para valorizar”.
12-Cinco dias depois seriamos surpreendidos com um artigo de opinião escrito pelo conhecidíssimo analista político Belarmino Van-dunem, na edição do Jornal de Angola, de 31 de Maio, que gerou uma onda de reacções positivas no seio dos activistas ao favor da defesa deste elemento cultural.
Na opinião do articulista diz que, “é necessário chamar a atenção dos teóricos da cultura sobre a urgência em normalizar o kuduro enquanto património nacional.”Era um dos objectivos inseridos nos pontos das pretensões do KIC. E como reforço de tal afirmação foi mais além dizendo que, “O Blues, Jazz, Rock and Roll, Hip hop e mesmo o fado português são estilos que nasceram nos subúrbios, mas hoje fazem parte do património cultural, tanto dos Estados Unidos da América como de Portugal.”O que conformaria a razão do tema da KIC e o seu slogan. Pois estávamos em presença da confirmação de tal necessidade.
 Tal facto era quase que impensável até pouco tempo atrás, o que pressupõem que o nosso trabalho está a surtir algum efeito, apesar de existir, ainda, um caminho longo por trilhar. A franja da indústria cultural, um segmento muito importante é aqui chamada para materialização deste desiderato, ao bem da cultura nacional. O exemplo da expansão do Cabo Snoop é tão-somente uma ponta do Iceberg. Invistam que os retornos sempre surgirão, assim como a explosão de novas estrelas. Talentos existem em quantidades e qualidade!
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Artigos de opinião

Por:Berlarmino Van-Dúnem |
|In, Jornal de Angola, 31.Maio.2012

O Kuduro e a sua dimensão internacional

O estilo musical kuduro já entrou no cardápio musical de Angola. Na década de 90, embora já se fizesse ouvir nas noites africanas, esse estilo musical não tinha a dimensão internacional de hoje.
A primeira polémica no que refere à autoria do estilo foi protagonizada entre o artista Sebém e o Rei Hélder. Tudo começou com a música “Felicidade”, que “Rei Hélder” teria plagiado. O erro foi reconhecido pelo “Rei Hélder” que acabou por gravar um CD com Sebém. Não fez tanto sucesso: “bateu na rocha”, como dizem agora. A personagem principal do kuduro é o artista Tony Amado que iniciou o estilo. O nome de kuduro está relacionado com a dança praticada por ele na altura. Pondo as polémicas de parte, o kuduro internacionalizou-se e vários foram os artistas que deram o seu contributo.
No início da década de 2000 começam a surgir, nas periferias de Luanda, vários grupos que se foram afirmando no mercado nacional e internacional. Existem questões que preocupam no Kuduro:
1. Sem desprimor nenhum, preocupa o facto das rivalidades se transformarem em violência, sobretudo com a expansão da ideia de “gang” em que se destaca o grupo “Os Lambas” cujo líder do grupo, “Nagrelha”, se intitula chefe do estado-maior do Kuduro. “Os Lambas” gritam ao microfone que são “os demónios do Sambizanga”. As pessoas respondem com gritos e apupos, os jovens entram em transe, incentivando “Nagrelha” quando pronuncia frases pouco sociáveis, como “quando o tiro não vos mata, eu chego aqui para matar”. Pode ser simbólico mas, assim é bom? Claro que não!
2. Outro assunto que preocupa no kuduro é a letra das músicas. Não se pode negar que houve uma evolução na métrica e nas rimas. Mas o conteúdo da maior parte das letras são pobre e, em alguns casos, ofensivos ao decoro social. Embora devamos reconhecer várias mensagens positivas nas letras de “Dog Murras”, “Lambas”, “Puto Lilás”, “Os Kalunga Mata” “Puto Prata”, “Pai Banana”, “Agre G” e outros putos que fazem sucesso no kuduro. Sem deixar de criticar as rimas forçadas e os chamados “bifes”.
3. O surgimento de artistas do sexo feminino é um fenómeno positivo. Mas as letras não se têm distanciado muito dos chamados “bifes”. Noite e Dia, Fofando, Própria Lixa, Gata Agressiva, passando pela Titica que foi considerada (o) pelo jornal O País como personalidade do ano 2011, são exemplos disso.
4. Os estilos de dança também têm provocado algum burburinho entre os mais conservadores. O que mais polémica suscitou foi a dança “Du Cambua”, cujos movimentos poucos se atrevem a executar em pleno gozo do seu juízo, não seria nenhum exagero afirmar que a dança “Du Cambua” é pouco familiar. Ninguém se sente muito confortável quando a sua filha ou esposa toma a iniciativa de dar “du cambua”. Os “toques” actuais do kuduro corrompem qualquer estigma moral de outros tempos, tenho a certeza que os nossos netos vão perguntar se dançamos “du cambua”.
5. Existe pouco controlo do uso da patente “kuduro” fora do território angolano. Não deixa de ser preocupante que a maior parte das pessoas que se dedica aos assuntos da cultura nacional fique passiva quando se assiste à perversão de algo que é nacional. Há uma percepção errada em assumir que todo o estilo musical cuja letra se refira ao kuduro pertença a esse estilo.
6. O artista Lucenzo, num duo com Dom Omar, interpretou a musica “Danza Kuduro” com um ritmo latino. O artista português José Malhoa também interpretou “Morena Kuduro”. Embora eu não tenham muitos elementos para avaliar a essência do kuduro, parece-me que, de Kuduro, aquelas músicas só têm o refrão. Mas a rítmica não se assemelha nada ao Kuduro que tanto furor faz actualmente em Angola. O artista Sebém, no programa “Sempre a Subir” da TPA, a afirmou que aquelas músicas também fazem parte do estilo Kuduro.
O programa “Sempre a Subir” agora é apresentado por dois artistas “Presidente Gasolina” e “Ouro Negro” cuja linguagem é imperceptível.
Por não se tratar de nenhuma língua nacional, nem ser característico de nenhuma região penso que não há necessidade de promover aquele tipo de linguajar.
Na actualidade não há festa angolana sem kuduro. Este estilo musical tem versões nas principais línguas internacionais, inglês, francês e espanhol. Para além de ser interpretada em Português, já começa a ser usual ouvir kuduro em línguas nacionais. Portanto, o Kuduro enquanto marca angolana faz parte do património nacional. Há necessidade de padronizar esse estilo musical, procurando elevá-lo a patamares que possam contribuir para dignificação da cultura nacional, tal fez Amália Rodrigues relativamente ao fado ou Louis Amstrong em relação ao jazz.







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NOTÍCIAS
Por: Jomir Garcia
Fotos: Site Afromusic


W.King, figura do mês de Agosto
no site do Afromusic chanel


O artista W KING foi opção para figura do mês de Agosto no site do Afromusic Chanel. O cantor da “Favela da Jamaica”, como auto intitula-se, fruto do nome do seu bairro, situado no município do Sambizanga, em Luanda, tem estado em bom momento de carreira o que lhe permite ser, em muitos shows, figura constante do cartaz dos artistas do género Kuduro em muitos shows na actualidade.
O cantor participou recentemente no Le Grant Menchant Zouck, que teve lugar na Cidadela Desportiva, em Luanda. Um show que juntou várias figuras da música angolana e das Antilhas, com grande destaque de cartaz, para a banda Kassav´s, um grupo que se eternizou entre os angolanos ao marcar uma grande época na história da música de Angola nos anos 80,uma fase em que os jovens angolanos encontravam-se num período de indefinições na sua produção musical, cujo grupo influenciou grandemente, o surgimento da música Kizomba, na tentativa de tocarem o Zouck antilhano, no mesmo período em que era cozido o estilo que o caracteriza o músico, ainda na sua metamorfose entre a Batida para o Kuduro.
Tal feito é um marco de relevância para carreira do artista. Partilhar do palco com os melhores da música Zouck no mundo é o sonho de muitos músicos do mesmo género, que gostariam ter estado em seu lugar. Segundo afirmaram artistas do género presentes na plateia.
O evento foi produzido pelas produtoras associadas. W.King é autor de vários sucessos. Visite o canal de música e Vídeo desta agência e conheça mais sobre o artista.

   

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